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SMAM 2014: Aleitamento e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC

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SMAM 2014: Aleitamento e os

Objetivos do Milênio  ODM

 

Carol Bartle - New Zealand

Tradução de Regina Garcez

Apoio: Enf. Celina Valderez

 

Relação entre aleitamento materno e nutrição infantil e as

Metas de Desenvolvimento do Milênio

 

 

ODM 1

Erradicar a pobreza e a fome extremas

Desnutrição – (de macro e micro nutrientes)  – estabelecida nos dois primeiros anos de vida, principalmente, na fase de lactente. Alimentos e proteção alimentar durante esse período significam a garantia do aleitamento materno bem cedo e exclusivo durante os seis primeiros meses, seguida pela introdução de alimentos complementares, com a manutenção da amamentação até dois anos ou mais. Essas práticas alimentares otimizadas constituem recomendação de saúde pública da OMS para o crescimento, a saúde e o desenvolvimento normais. Há um crescente conjunto de evidências indicando o papel fundamental das práticas alimentares do bebê e da criança pequena, em especial, a amamentação bem cedo e exclusiva, para mitigar as duas formas de desnutrição e prevenir a mortalidade infantil. No entanto, as intervenções voltadas a tais práticas não receberam a atenção adequada na era das ODMs; assim, existe um potencial incomum para o alcance do progresso na proteção alimentar e nutricional na infância. Em condições de pobreza, a amamentação salva vidas, e o uso de substitutos do leite materno é um risco enorme à sobrevivência do bebê.

ODM  2

Alcançar educação universal básica

O aleitamento materno e alimentos complementares de qualidade contribuem, significativamente, para o desenvolvimento cognitivo. Além dos 150 ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa no leite materno, que oferecem suporte ao desenvolvimento neurológico, a amamentação inicial e exclusiva, bem como a alimentação complementar, atendem às necessidades de deficiência de micronutrientes e ferro, é suporte para o desenvolvimento neurológico e estimula o desempenho escolar posterior.

Pesquisas relativas ao desenvolvimento cognitivo e à amamentação:

*Crianças pequenas para a idade gestacional (de crescimento limitado) demonstraram melhora na função cognitiva, quando amamentadas com exclusividade durante os seis primeiros meses de vida. (Rao, 2002, Acta Paediatrica 91:267-274)

 

*Associação importante entre a duração da amamentação e o QI verbal. Concluiu-se que tais achados significam um crescente conjunto de evidências que sugerem que alimentar com leite materno pode trazer benefícios pequenos de longo prazo ao desenvolvimento cognitivo da criança. (Horwood, Darlow e Mogridge, 2001 Archives of Disease in Childhood, Fetal and Neonatal Edition Vol 84 No1, 23-27)

 

*Duração da amamentação e capacidades cognitivas da criança, bem como o sucesso acadêmico entre 8 e 18 anos de idade. Um estudo longitudinal durante 18 anos de um grupo de nascidos de mais de 1000 crianças mostrou que aumentar a duração da amamentação estava associado a escores/QI de inteligência de importância estatística e consistência aos 8 e 9 anos de idade. Os achados persistiram depois de ser levada em consideração a idade da mãe e sua condição socioeconômica. (Aleitamento e resultados acadêmicos posteriores – Horwood e Ferguson 1998, Pediatrics 9,99)

 

*Benefício significativo ao desenvolvimento proporcionado pelo aleitamento e sua relação independente com períodos maiores de amamentação: aumento nos escores com maior duração do aleitamento. Foram acompanhadas 3.880 crianças, do nascimento aos 5 anos de idade. (Quinn, O´Callaghan, Williams, Najman, Andersen e Bor, 2001 Journal of Paediatrics and Child Health, October Vol 37, No 5, 465-469)

 

*Aleitamento materno e atraso no desenvolvimento: achados do estudo de um grupo do milênio (n=14.660), Reino Unido. A proporção de bebês que atingiram os marcos de desenvolvimento aumentou com a duração e a exclusividade da amamentação. Os bebês que jamais foram aleitados apresentaram 50% mais probabilidade de atrasos na coordenação motora grossa que os bebês amamentados, com exclusividade, durante pelo menos 4 meses. Bebês jamais amamentados apresentaram 30% mais probabilidade de apresentar atrasos motores grossos na comparação com aqueles amamentados durante 2 meses. (Sacker, Quigley e Kelly, 2006)

 

*O maior ensaio controlado e randomizado já realizado, na área da lactação. Sólidas evidências de que a amamentação prolongada exclusiva melhora o desenvolvimento cognitivo infantil. Foram acompanhados 17.046 bebês amamentados e 31.889 crianças até 6,5 anos de idade (81.5%). (Kramer et al, 2008 – Arch Gen Psychiatry, 65, 5, 578-584)

ODM  3

Promove igualdade de gêneros e dá poder às mulheres

Os papéis singulares das mulheres na criação dos filhos e no aleitamento colocam-nas em posições vulneráveis, social, econômica e nutricionalmente. Em todo o mundo, as mulheres são afetadas, de maneira desproporcional, pela pobreza, a ausência de letramento, a discriminação e a violência. Os direitos de reprodução e os papéis de produção femininos demandam apoio adequado para assegurar que consigam a igualdade em todos os níveis sociais.

 

O aleitamento é elemento integral da saúde reprodutiva da mulher; como tal, representa um direito seu. Mas elas conseguem aproveitar apenas a totalidade dos benefícios de saúde decorrentes do aleitamento, quando recebem informações precisas para fazerem uma escolha informada sobre amamentar, com capacidade de exercitar o direito de amamentar sem coação e pressão, e quando governos, comunidades, profissionais da saúde e familiares protegem esse direito. A proteção à maternidade é fundamental à promoção e à proteção da igualdade de gênero, o que inclui acesso a serviços de saúde, oferecimento do pagamento adequado à licença maternidade/parental, locais de trabalho que disponibilizam a amamentação e atendem às mães e proteção ao aleitamento. É importante ao fortalecimento das mulheres a criação de ambientes que lhes possibilitem a tomada de decisões informadas sobre aleitamento materno.

 

É importante observar que a razão principal da maioria das mães que trabalham para interromper o aleitamento é a volta ao trabalho [após a licença maternidade]. O desafio em termos de proteção à amamentação e a adoção ao aleitamento é adotar uma política adequada de facilidades maternas que propiciem seis meses de amamentação exclusiva a mulheres empregadas em todos os setores, com atenção urgente dada ao setor informal.

ODM  4

Reduzir a mortalidade infantil

Sabem-se, pela análise do conjunto de dados global da OMS de 65% da população mundial infantil, que até um ano ou menos de idade, apenas 35% são crianças exclusivamente amamentadas entre o nascimento e os quatro meses de vida. O Relatório do Unicef, em 2012, descobriu que 136.7 milhões de bebês nasceram no mundo, com somente 32,6% tendo sido amamentados até seis meses de vida. Em 1 de maio de 2012, o Unicef deu uma declaração de preocupação relativa às grandes reduções nas taxas de aleitamento materno na Ásia Oriental em relação à deterioração da saúde de bebês e crianças. Isso estava vinculado, no relatório, à proteção da maternidade e à comercialização agressiva dos substitutos do leite materno  na região. A desigualdade entre a indústria e os órgãos de saúde é notável aqui. Anualmente, cem milhões de dólares são gastos em anúncios dos substitutos do leite nas Filipinas, o que corresponde a mais de metade do orçamento total anual do Departamento de Saúde – para tudo. Nas Filipinas, em média, menos da metade dos bebês nascidos recebe aleitamento exclusivo durante três meses; aos seis meses, menos de 25% é aleitado com exclusividade.

 

Lauer et al. (2006) informaram que até 1.45 milhões de vidas são perdidas por uma amamentação aquém da excelente em 'países em subdesenvolvimento'. Stuebe e Schwarz (2009) confirmaram que decisões sobre alimentação de bebês afetam, de forma significativa, a saúde da mãe e da criança no mundo inteiro, mesmo em contextos com água limpa e boas medidas de higiene. Bebês não amamentados estão expostos a riscos crescentes de morbidade e mortalidade por infecções e não-infecções. 

 

Nas crescentes situações de desastre e emergência no mundo, aleitamento interrompido e alimentação complementar inadequada aumentam o risco de desnutrição, doenças e mortalidade; a distribuição sem controle de substitutos do leite materno, por exemplo, em campos de refugiados, pode levar à interrupção precoce e desnecessária da amamentação (OMS/UNICEF, 2005).

 

Apoio a mulheres grávidas, mães em aleitamento, aleitamento continuado, relactação e aleitamento por mães substitutas salvam as vidas de bebês e evita mais morbidade. A amamentação é a única forma sustentável e segura de alimentar e proteger as crianças em épocas sem desastres e durante períodos de desastre e emergências.

 

A Assembleia Mundial da Saúde, nas resoluções de 2010, traz as seguintes declarações:

 

*Preocupada que, em emergências, muitas das quais ocorrem em países sem acompanhamento relativo ao alcance do ODM 4 e que inclui situações criadas pelos efeitos das mudanças climáticas, bebês e crianças pequenas estão especialmente vulneráveis à desnutrição, à doença e à morte

*Reconhece que planos nacionais de preparação para emergências e respostas internacionais a emergências nem sempre envolvem proteção, promoção e apoio à alimentação excelente de bebês e crianças pequenas.

 

O aleitamento materno mostra-se significativo em pesquisas como o melhor método para alimentar bebês. A American Academy of Pediatrics (AAP) publicou pela primeira vez uma declaração de políticas sobre amamentação e uso do leite humano, em 1997, citando 111 artigos de pesquisas. Essa declaração foi revisada em 2005 e 2012 devido a “avanços importantes na ciência e medicina clínica” com uso de novas pesquisas que estabeleçam melhor a importância da amamentação (AAP, 2005 e 2012). As declarações da AAP identificam benefícios de saúde, nutrição, imunologia, desenvolvimento, psicologia, sociedade, economia e ambiente. São reconhecidos os efeitos protetores do leite humano contra a síndrome da morte súbita da criança (SIDS), diabetes melito dependente de insulina, doenças alérgicas, doença de Crohn, colite ulcerativa e outras doenças digestivas crônicas. Também é enfatizado que as pesquisas mostram fortes evidências de que a alimentação com leite humano reduz a incidência e a severidade da diarreia, da infecção do trato respiratório inferior, da otite média, da bacteremia, da meningite bacteriana, do botulismo, da infecção do trato urinário, da Enterocolite necrosante e da sepse de surgimento tardio, em bebês pré-termo.

 

Uma amamentação excelente está no topo da lista de intervenções preventivas eficazes para a sobrevivência da criança. Com a amamentação e alimentação complementar adequada ocorre um impacto mais positivo que o alcançado com a vacinação, água adequada e higiene.

 

A amamentação reforça a imunização. Fornece ao bebê os agentes antibacterianos, antivirais e antiparasitas e reforça o sistema imune em desenvolvimento no bebê. Ela ainda propicia imunidade ativa e passiva, otimiza o sistema imune e melhora a “absorção” da reação dos anticorpos às vacinas. O colostro é tão rico em anticorpos e com tantas propriedades anti-infecção, que é considerado a primeira “vacina” do bebê. O sistema imunológico do leite humano oferece um contínuo da proteção materna imunológica, desde a transferência da imunoglobulina G (IgG) da mãe, através da placenta, ao bebê no útero, e depois, da mãe, por meio da amamentação e do leite materno à criança, até o segundo ano de vida (Slussor e Powers, 1997). Cregan (2008) também discute como esse contínuo de suporte ao bebê humano imaturo se desenvolve, descrevendo como as glândulas mamárias de uma mãe de primeira viagem assumem o papel, a partir da placenta, de oferecer orientação para o desenvolvimento.

 

Os componentes complexos do leite materno exclusivamente humano não podem ser reproduzidos e incluem a lactoferrina,  uma glicoproteína única da cadeia de polipeptídios, que forma dois lobos, ambos aglutinadores de ferro (Hanson, 2004). A lactoferrina é bastante resistente à degradação nos intestinos, e as fezes e a urina de um bebê aleitado contêm quantidades significativas de lactoferrina, inclusive grandes fragmentos. Receptores especiais nos intestinos do bebê absorvem a lactoferrina e seus grandes fragmentos. A lactoferrina é bactericida para muitas bactérias gram-negativas e gram-positivas, possuindo ainda propriedades antivirais e antifúngicas. A lactoferrina destrói os micróbios sem induzir envolvimento tissular e reações inflamatórias, e ainda evita a produção de várias citocinas pró-inflamatórias (Hanson, 2003). Acredita-se que a lactoferrina proteja bebês amamentados contra infecções do trato urinário e intestinais.

ODM  5

Melhorar a saúde materna

O Método de Amenorreia Lactacional (LAM) está associada a um excelente aleitamento, contato mãe-bebê e redução da concepção e gravidez devido à supressão da ovulação. O aleitamento exclusivo durante seis meses, com sua manutenção por até dois anos e além, e mais a adição de alimentos apropriados a partir de seis meses de vida, é algo excelente. Hrdy (1999) descreve a amamentação como a base do planejamento familiar em primatas, o que inclui as pessoas. A amenorreia lactacional durante dezoito meses é descrita como exigindo, em média, cerca de oitenta minutos de sucção do bebê ao seio materno por dia, que se dá por um mínimo de, pelo menos, seis episódios de aleitamento (Hrdy 1999). Outros fatores descritos como da mesma importância por Hrdy foram o estado nutricional da mãe, a carga de trabalho e as condições ambientais. Sugere-se que a amenorreia lactacional seja responsável pela prevenção de mais gestações em países 'em desenvolvimento', na comparação com todos os demais métodos contraceptivos disponíveis (Madani et al. 1994). Radwan et al. (2009) descobriram uma taxa de proteção de 98% contra gravidez após o nascimento, durante seis meses, num grupo de 593 mulheres, nos Emirados Árabes Unidos. A duração da LAM teve relação significativa com a idade do bebê quando da introdução da fórmula e alimentos sólidos. O espaçamento de gestações beneficia a saúde materna.

 

A amamentação causa impacto positivo na saúde das mães. Efeitos protetores anteriormente identificados incluem redução do risco de câncer de mama pré-menopausa (Zheng et al., 2001), um efeito protetor da duração da lactação e uma redução de 25% no câncer de mama pré-menopausa e pós-menopausa, em mulheres que foram amamentadas quando bebês (Freudenheim et al., 1997; Freudenheim et al., 1994), uma redução nos riscos de câncer ovariano (Su e pasilich et al 2013, Riman, Nilsson e Persson 2004, Tung et al., 2003), uma possível redução nos riscos de osteoporose e fratura de quadril (Karlsson, Ahiborg e Karlsson, 2005), efeitos contraceptivos relatados em um percentual de 98% nos seis primeiros meses após o nascimento (Kennedy, Rivera e McNeilly, 1989). Surgiram estudos importantes relacionados à saúde cardiovascular:

 

* Incidência de infarto do miocárdio na fase adulta intermediária a tardia – Suebe et al., (2009) investigaram a duração da lactação e infarto do miocárdio de incidência materna, num grupo prospectivo de 89.326 mulheres que deram à luz, no Nurses´Health Study. Aquelas que amamentaram por um período de vida total de dois anos ou além tiveram 37% menos risco de doença coronariana. Após adaptação para adiposidade no início da vida adulta, história parental e fatores do estilo de vida, as mulheres que amamentaram por período de vida total de dois anos ou além tiveram uma redução de 23% no risco.

 

*Duração da lactação e fatores de risco para doença cardiovascular – Schwarz et al. (2009) examinaram dados de 139.681 mulheres na pós-menopausa. Foram examinadas reações a doses, e mulheres que relataram uma história de vida de mais de doze meses de lactação estavam menos propensas a ter hipertensão, diabetes por colesterol elevado ou doença cardiovascular na comparação com mulheres que jamais amamentaram.

 

* Redução da ansiedade e pressão sanguínea baixa em mulheres que amamentam – Unväs Moberg (2003) contribuiu com extenso trabalho para aumentar a compreensão da oxitocina hormonal. Quando as mães amamentam os filhos, diminui a pressão sanguínea, bem como os níveis do hormônio do estresse cortisol. O que indica uma diminuição na atividade do sistema nervoso simpático e menor resposta suprarrenal (Unväs Moberg, 2003, p.97). Medidas da atividade cerebral em animais que amamentam mostram que muitos adormecem ao amamentar os filhotes. As mudanças comportamentais e fisiológicas positivas persistem durante toda a amamentação. Unväs Moberg, Johansson, Lupoli e Svennesten-Sjauna (2001) sugerem que a ocitocina facilita não somente o relaxamento e a calma na mãe, mas ainda estimula a interação materna e o processo de vínculo.

ODM  6

Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças

A WABA - HIV and Breastfeeding Resource foi escrito para uso por elaboradores de políticas, comitês nacionais de aleitamento materno, profissionais da saúde e outras pessoas envolvidas em saúde pública em todo o mundo. As pesquisas mostram que mães HIV positivas que receberam tratamento ARV (ante retro virais) eficaz podem ter uma taxa de transmissão do HIV próxima à zero para seus filhos durante a gestação, o nascimento e o período recomendado de aleitamento – amamentação exclusiva por seis meses e sua manutenção com a introdução de alimentação complementar adequada à idade durante até dois anos ou mais. Há, atualmente, evidências suficientes para recomendar o ARV durante a amamentação.

ODM 7

Assegurar sustenta-bilidade do ambiente

O custo ao consumidor dos substitutos do leite materno nas lojas representa parte ínfima do custo negativo total à saúde do planeta e das pessoas. Cada vez mais rebanhos leiteiros usam métodos não naturais de criação intensiva de gado potencialmente envolvendo hormônios de crescimento bovino, a resultante necessidade de uso de antibióticos caros para mastite crônica nas vacas, o dano associado à terra e infraestruturas, poluição, muita contaminação da água, contaminação por nitrato, gasto incorreto e consumo de água, aumento dos gases de efeito estufa, produção de leite em pó, produção de ingredientes modernos a serem adicionados ao produto, embalagem, transporte interno em estradas e internacional aéreo e marítimo, dejetos criados pelo processo de fabricação e embalagem, com fins de estimular o uso do produto aumentam as grandes pegadas de carbono e contribuem para um futuro insustentável. Gabrielle Palmer elaborou uma lista abrangente de dejetos associados à alimentação de bebês com fórmula, em seu livro 'The Politics of Breastfeeding'. Por exemplo, latas para embalar as fórmulas infantis para suprir um milhão de bebês usam 23.706 toneladas de metal, e os recursos em papel chegam a 341 toneladas, mais os custos adicionais de todo o material promocional em papel que chega não apenas a pais, mas a pediatras, enfermeiros, parteiras e outros profissionais da saúde. Palmer relata que apenas um entre os vários fabricantes de mamadeiras e bicos de mamadeira informou distribuir vinte milhões de mamadeiras por ano e, para piorar, está o problema de embalagens de papelão não-degradável/não-reciclável tetra pack, usadas para produtos líquidos prontos para consumo.

Amamentar é um ato ecológico!

ODM  8

Desenvolver uma parceria global para o desenvolvi-mento

A Global Strategy for Infant and Young Child Feeding (GSIYCF) estimula a colaboração multissetorial, podendo desenvolver-se a partir de parcerias existentes em apoio ao desenvolvimento, por meio do aleitamento materno e a alimentação complementar. Em termos de futura produtividade econômica, a alimentação excelente dos bebês tem implicações positivas importantes. Não é suficiente tão somente o apoio e estímulo à amamentação. O impacto negativo da promoção inadequada e enganadora de substitutos do leite materno exige ação. O Código, adotado pela OMS em 1981 e seguido de várias resoluções, é um padrão global mínimo, que busca promover a alimentação adequada de bebês e crianças, protegendo-os contra práticas incorretas de comercialização. No preâmbulo do Código Internacional declara-se que “diante da vulnerabilidade dos bebês nos primeiros meses de vida e dos riscos envolvidos em práticas alimentares inadequadas, inclusive o uso desnecessário e impróprio dos substitutos do leite materno, a propaganda dos substitutos do leite materno exige tratamento especial, que torna as práticas corriqueiras de propaganda inadequadas para esses produtos”.

Revisão do texto: Prof. Marcus Renato de Carvalho, UFRJ.

 


Última atualização: 27/12/2013

 

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